sexta-feira, 12 de junho de 2009

Perco-me, perco-me.
Perco e estou rendida, ganhaste mais uma vez.
“Dás cabo de mim”, e é tão bom. Vences facilmente com um dos sorrisos que tens guardados algures , como o melhor vinho para a melhor das festas.


É nesse inebriante não-toque que me levas nas palmas como mais uma das linhas da tua mão.
É no não-dizer que me segredas quem és, quem imagino seres quando o dia acaba e tu começas.



Assim, de madrugada me roubas o sono sem saberes – tu não sabes nada, na verdade. Mesmo quando te quero contar. Assim, de madrugada me arrasto para um caderno qualquer, para um qualquer teclado e te digo o que não te posso confessar: que estou rendida a ti, prostrada a teus pés para me pisares com essa indiferença superior de quem não suspeita. Estes dias são assim, páginas quase brancas.



Tenho fome e sono mas não como nem fecho os olhos por não saber já como se fazem essas coisas mundanas quando abandono os sentidos - tens também esse poder, o de me privar de tudo quando dizes não ter nada para oferecer em troca.
A esta hora em que os telefones não tocam e só um ou outro cão ladra por se sentir também ele só, vou discando em silêncio o teu número na minha cabeça, apenas para na minha cabeça também ouvir a tua voz e o teu silêncio. As poucas palavras com que brindas o mundo, essa voz de que sinto falta. O sopro da tua respiração, esse vento tépido com que afagarás outros ouvidos e outras peles.
São 3 horas para o mundo mas para mim são apenas mais umas, pois o relógio não me diz quando devo parar de pensar em ti - não temos esse ou qualquer outro acordo.



Fumo mais um cigarro, apenas porque sim. Porque até ver-te fumar era um prazer silencioso, como a ver formarem-se essas linhas nos cantos dos teus olhos quando sorrias e eu imaginava que era só para mim. Dessas saudades nem falo porque são as que doem mais.



Estou rendida, sim. Às evidências e à maior de todas, que és tu. Em mim.

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