sábado, 25 de abril de 2009


Em inglês diria simplesmente rejection’s a bitch.
Mas como portuguesa, limitar-me-ei a escrever um «sonoro» - e aqui entra a imaginação de cada um –FODA-SE!
Há séculos que não deposito palavras, o tempo até para pensar se me escapa feroz pelos dedos dos dias. Ninguém disse que seria fácil, é certo, e mais certo ainda que fácil pessoa também não sou. Exigo o que não poderei ter e desiludo-me facilmente com o que consigo.
É a natureza humana no seu expoente, diriam alguns sábios poetas de vão de escada, dos que apregoam ditados popularuchos como tablóides.
Quero o já, o imediatamente que se faz tarde, e frustro as minhas próprias expectativas como furo os balões de sonhos que vou largando nas mesmas viagens de sempre. Repito, repete, repetem até à exaustão. Esbaforida ou a esbanjar o atraso pelas ruas batidas ora pelo sol ora pela chuva - é nestes momentos que penso que está tudo bem, que se foda o resto que eu vou a caminho e hei-de chegar.
Dizia que a rejeição é mesmo uma grande cabra. Enfia-nos as garras pelos olhos e arranca-nos pequeninos pedaços de Ser, esmaga o amor-próprio como a um insecto indesejado num piquenique, e temos de viver com este facto/r de vida com o qual, insistem, devemos aprender. Aprender o quê? A que sabe a derrota? Um pequeno desgosto fortalece o carácter mas quando são demais não o amolecem? Não terão o efeito contrário e adverso de nos quebrar as defesas como um vírus?
Já lá vão 252 caracteres de pura idiotice e pseudo-qualquer-coisa-que-o-valha, mas a catarse é garantida, valha-nos isso.
Assim se abrem buracos negros, qual big bang qual quê...a tristeza é que corrói. Dói. O que fazer quando a cabeça e tudo o que vai nela quer fugir do corpo que a agarra? Deixá-la deambular sozinha, à espera que encontre o que procura? Ou trazê-la de volta ao corpo, à terra que a domina pela gravidade?
A gravidade...mais uma palavra com duplo sentido, como todos os sentidos que se tornam, em devido contexto, em direcções ou sensações, num crescendo sem nexo.